domingo, 15 de novembro de 2009

Nunca aos domingos

Abro-me espaços em torno ao mar.

Na dúvida entre navegar.

E naufragar.





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Redemption song


Tão leve.

Que nem me senti o peso sobre o próprio lençol.












terça-feira, 3 de novembro de 2009

Strangers than paradise

Paraíso

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

good morning, Babylon, good morning, spaghetti western with kung fu and jamaican dubs

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Para viver um grande amor




[Paola Zampa, amor sacro-amor profano, digital photo on aluminium, 56x84, 2006]



Para viver um grande amor é necessário antes de tudo estar apaixonado. A premissa parece redundante, inútil, banal, até mesmo pueril, e por conseguinte desnecessária, de tão lógica que é. Mas é imprescindível. Não se vive um grande amor sem paixão. Pode-se viver um médio, pequeno, micro-amor. O que – quem sabe (e provavelmente é, mesmo) – é até mais desejável, enquanto racional e tranqüilo. A placidez, nos grandes amores, só existe em breves momentos. Naqueles onde (e quando e como e por que), cansados de uma entrega integral e íntegra, os corpos se abandonam num abraço frouxo mas firme, os olhos se deixam navegar à deriva nos olhos do outro e vice-versa, jogo de espelhos sem começo, meio ou fim.

Para viver um grande amor deve-se ignorar solenemente o tempo. Deve-se recusar o passado e imaginar que o futuro não existe além daquele momento presente. Deve-se acreditar piamente que será eterno (mesmo com o chato do Vinicius de Moraes martelando na cabeça a terrível conclusão – “enquanto dure”). Sim, porque todo Grande Amor é Eterno. E durável. E duradouro. E infinito (mudança de versos: “que seja eterno, enquanto infinito”). Deve-se confiar – cegamente, como um fiel rejeita a ciência e abraça a fervura quente do milagre – que é possível parar o tempo, os ponteiros e todos os relógios do mundo. Que o mundo, a propósito, não existe além do refúgio criado pelos amantes, para viver seu Grande Amor.

Para viver um grande amor faz-se necessário a mudança para uma ilha deserta. Sem pegadas na areia além das suas. E nem é tão importante que esses passos se repitam na areia lado a lado – eles podem caminhar às vezes mais à frente, às vezes mais atrás, outras trilhando a mesma vereda, que nada mais é senão seus próprios passos. (“Olha! Aqui se confundem. Não se sabe mais qual a marca de quem. Se sobrepuseram. Tornaram-se um.”)

Mas, para viver um grande amor, mesmo numa ilha deserta, é importante saber que não existem ilhas desertas. Então, é imprescindível manter a força dos músculos para outras atividades que não apenas o ato mágico e único do amor. É imperioso dedicar-se à construção de fortes, de paliçadas, de fossos de proteção, de trincheiras, de casamatas. É necessário vestir couraças, armaduras, peitorais, coletes. Até para desvesti-los depois. Ainda que a nudez nos torne frágeis. Vulneráveis, somente um para o outro.

Para viver um grande amor é preciso reconhecer que só esse mesmo grande amor pode decretar seu fim. E, ainda assim, eterno, enquanto infinito.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tempo | manhã de sexta-feira



[Leonard Cohen, fotografado por não sei quem]


Sol entre nuvens.

Mas as nuvens brilham.

Sol por trás das nuvens.

As nuvens se movem.

Deslizam.

Da esquerda para a direita.

Nuvens grandes. Como seios. Ao deslizarem sobre si mesmas, se arrastam, sem arrastar os coqueiros miúdos e o canto do pássaro.

– Na garganta.

Até os prédios tornam-se minúsculos diante de nuvens tão grandes assim.

Até as palavras somem diante de um silêncio que devora todo o inútil, todo o supérfluo, todo o excesso.

Só o amor merece exceder – gota d’água, tsunami.

As nuvens se espalham sobre a Cidade. Anel, abraço. Não vai chover. É tempo de verão. A manhã amadurece antes do tempo. Sem cair.




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tempo | manhã de segunda-feira


Sol entre nuvens. E daí?

Já não me movo através das notas do boletim meteorológico.

Apenas uma saudade recorrente, que se alimenta em si mesma.

Em beijos, abraços, corpos.

As ruas da cidade existem para que nelas ande.

Tudo muito buliçoso sob o sol.

Café, cigarros, uma cidade construída à beira-mar.



Tempo | manhã de domingo


O sol brilha, o mar refresca, a areia da praia é quente mas próxima ao mar é molhada.



[2a versão:

Sol reluz, ondas refrescam, areia da praia quente, mas próxima ao mar, molhada. Ao seu lado, melhor.]