segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ε X I T ε X Ô D O




Ficou seu retrato em três por quatro e um bilhetinho escrito em caligrafia seis por duas – seis linhas em duas colunas.

Ficou uma mancha, nódoa no lençol que não era cambraia nem bordados havia.

Ficou a sombra do seu corpo no espelho embaçado. Que me reflete aos pés da cama, os cabelos desgrenhados, um cigarro amarfanhado entre os dedos e entredentes.

Ficou a janela aberta, arreganhada para um quarto crescente triste. O céu congelado. Nuvens baixas, icebergs.

Ficaram uns restos de cabelos nas escovas e na pia do banheiro. Uns comprimidos contra cólicas. Um sabonete sem espumas.

Ficaram uns papéis voando pela sala, rodopiando espirais e pós, e um imenso cão de São Bernardo (que na verdade nunca tivemos).

No porta-retratos, eu e ela, como viemos ao Paraíso.

Antes de sermos expulsos, uma espada flamejante nos apontado a saída.


Um comentário:

Marcia disse...

lindo de viver. drumondiano e de todos nós, pois "sempre fica um pouco de tudo. às vezes um botão. às vezes um rato".