terça-feira, 2 de dezembro de 2008

rubi


[Photo: Vernon Merritt, 1968, from Life Magazine - "A dark picture showing the strain of suspence of Mrs. Donn F. Eisele sitting on the side of the road gripping her hands during her husband's trip on the Apollo 7 mission."]


No vinho a verdade, mandou a mensagem.

À distância de semanas. Dias. Séculos.

Nunca se viram. Ou pouco se viram. Embora muito.

Desejo fogo-fátuo. Ardência na boca do estômago, por onde o coração insiste em sair. Aos pulos, aos saltos, na contramão da racionalidade.

O coração, sempre na contramão.

Encharcado de vinho, soçobrou. Permaneceu batendo, sincopado, no meio-fio.

Não chovia. Sem barcos de papel. Sem a certeza da infância, o sol amarelado da infância, pairando alto no horizonte, onde, a chuva?

Tão próxima da mão estava e ele não estendeu a mão.

Seqüestro, rapto, furto, roubo.

Batendo sincopado, no leito seco do rio.

Ainda a viu, à margem. Os cabelos esvoaçando, espalhando olhares de tristeza, porque de abandono. Porque impossível.

Não estenderam a mão um ao outro. Os dedos permaneceram sem se tocar.

Tão próximos.

Um comentário:

Anônimo disse...

belas imagens poéticas.
bela leitura, muito embora.
belíssimo texto.
mgp