quarta-feira, 9 de julho de 2008

O poder dos sonhos [090708]












Na noite de um dia difícil eu fui dormir sem o peso que uma decisão difícil conseguiu tirar, aos trancos, das minhas costas, mas ainda com a dor que o esforço causou. Nos músculos, na alma.



Na manhã seguinte, num repente, eu me dei conta que havia sonhado com meu pai, com quem raramente sonho desde que ele morreu alguns meses atrás.



No sonho ele estava bem, e não havia sinal ou lembrança de que estivesse morto. Estava com todos nós, com sua mulher e filhos – mas já não vivia com nós. Continuava o mesmo velhinho simpático e tranqüilo dos últimos anos e tinha arrumado um trabalho à beira-mar. Estava feliz, embora com a o olhar melancólico das pessoas que pensam demais. De quem olha ao longe e vê o que normalmente não se consegue enxergar quando se olha muito de perto.




Nós estávamos todos contentes, porque ele estava entre nós. Acompanhei-o, ao seu novo trabalho: ele me contou do que fazia, de como passava os dias, tudo muito simples e tranqüilo, como um dia fresco de verão. Céu azul, nuvens brancas, sol cálido. Me contou das pessoas que o visitavam, alguns conhecidos, outros estrangeiros. Me surpreendeu que agora falasse outras línguas, ele, que improvisava todas as línguas do mundo, com ironia e prazer numa babel própria e ruidosa.



No sonho, fiquei observando ele encerrar mais um dia de trabalho, arrumar suas coisas e partir, numa estrada de barro e poeira encarnada. Estava muito mais forte e seguro.




Ao despertar, não me recordei de imediato do sonho. Foi preciso alguns minutos para que ele ocupasse novamente um lugar na minha imaginação – e revi, e senti, o que tinha sonhado.



E percebi que toda a dor e sofrimento que a sua ausência diária me provoca não é nada diante da certeza de que ele estará sempre comigo. Sendo quem sempre foi: o melhor amigo, o melhor companheiro, meu pai.



3 comentários:

Mme. S. disse...

Que lindo sonho. Adorei esse texto.

atheneia disse...

Muito lindo esse seu sonho,Mário!!
É realmente muito confortante a certeza de que pessoas que amamos e perdemos,estão sempre conosco...
Aliás é sempre muito bom vir aqui no teu blog...bjs a todos!

Anônimo disse...

CONTARLE A UN PADRE QUIEN ES NUESTRO PADRE ES EL MEJOR REGALO QUE LE PUEDES DAR ,JUNTO A UNA COPA DE VINO DE LA MAS BUENA CALIDAD.TOMAD Y BEBED...