segunda-feira, 6 de agosto de 2007

E isso é lá mês pra se casar?

Foi em agosto, também, para ser exato no 28 de agosto de 1901, que Ferreira Itajubá escreveu o nome de sua esposa no livro de registro dos casamentos – Emília Marques da Silva, também conhecida como Emília Piloto, dezessete anos incompletos, era analfabeta.

Se a musa eternizada nos versos foi Branca, alguma coisa escreve Itajubá sobre a esposa, revelando toda sua fidelidade, na doença, na tristeza etc:

Emília iguala a mim nos rigores do fado,
na amargura do fel que ora nos suplicia,
antes dela sorrir, já volto da alegria,
antes dela sofrer, estou crucificado.

Novamente, a alma dos poetas volta a se cruzar – Nísia, o coração dilatado e “inchado de lágrimas; o “coração em luta” de Itajubá, cismando.

Dois exilados, uma real, outro imaginário.

Nísia: “A memória da Pátria, poderoso talismã que segue a todos na terra estrangeira, mais vivamente acordou aquele dia dentro de mim.”

Itajubá: “No exílio é que avalio / Como é brando o langor dessas noites de estio / Do lindo céu natal!”

A poeta não quer voltar, senão em versos. O poeta anseia o retorno, sem nunca ter partido.

Se é o luto, cultivado com ardor em Nísia, a “dolorosa perda” que nem as “peregrinações parisienses não lograram mitigar”, para o poeta da rive droit do Potengi, o luto é uma estação d’alma, uma antecipação da própria morte:

A tudo volta bela primavera,
- Só este inverno d’alma não se acaba.
- Só eu não passo do que eu era.

6 comentários:

Anônimo disse...

Caro blogueiro, tlvaz vc desconheça a viagem de Itajubá ao Norte, especificamente ao Amazonas e ao Pará.Portanto sua afirmativa: "O poeta anseia o retorno, sem nunca ter partido", com esta afirmação torna-se
falsa, no período em o poeta está distante ele escreve alguns poemas presentes no livro Terra Natal.

midc disse...

não, não desconheço, caro anônimo, apenas acho q o desejo de exilar-se em itajubá é bem maior do q suas raras viagens. mas, sua observação é importante - apareça quando quiser... you're wellcome.

Lemnisco disse...

Midc, vc poderia me dizer aonde se encontra essa estrofe do poeta Itajubá, que vc colocou numa de suas postagens?:

Emília iguala a mim nos rigores do fado,/na amargura do fel que ora nos suplicia,/antes dela sorrir, já volto da alegria,/antes dela sofrer, estou crucificado.

midc disse...

de cabeça, agora, lemnisco, não lembro - mas provavelmente foi no(s) livro(s) de nilson patriota, francisco das chagas pereira e, ou, josé bezerra gomes - muito provavelmente no primeiro, por sinal, reeditado recentemente pelo sebo vermelho.

Lemnisco disse...

Midc, não sei se vc chegou a dar uma olhada no meu Blog, o Lemnisco. Gostaria de Divulgá-lo. Sou May, de Santa cruz/RN

Lemnisco disse...

O trecho: "Emília iguala a mim nos rigores do fado,/na amargura do fel que ora nos suplicia,/antes dela sorrir, já volto da alegria,/antes dela sofrer, estou crucificado." é do poema "Dor secreta", p. 123, Harmonias do Norte (1965)